quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Medo do escuro


Sabe quando você apaga a última lâmpada... Está no escuro, e sente aquele frio na espinha?
Não importa se é criança, adulto ou velho...
Você sempre pode sentir o ambiente esfriar de repente, como se seu sangue gelasse só por causa do escuro...
A maioria das pessoas deixa a lâmpada do quarto acesa... E se foca na claridade do caminho de volta pro quarto, outros vão correndo... Mas poucos olham pra trás...
Você sabe que não tem nada lá no escuro... Ou pelo menos sua mente quer pensar assim...
Mesmo quando está deitado, e ouve barulhos estranhos, você ignora, você sabe que pode ser o vento, ou algum objeto em falso que caiu...
Mas lá no fundo... Você tem medo de olhar e perceber alguma coisa te olhando de volta...
As crianças tem este medo... Mas vão crescendo sendo treinadas para acreditar que não há nada lá...

Eu acreditava...

Naquela vez que fui ao banheiro, tinha esquecido de ligar a luz do corredor...
Era desnecessário, eu sabia o caminho...
Fui olhando pro chão, com medo de tropeçar em algo no escuro...
Estava frio... Achei normal, afinal era noite...
Enquanto fazia o que tinha ido fazer no banheiro, senti um pequeno calafrio...
Ri sozinho... Estava realmente apertado, era um alívio!
No caminho de volta, ouvi um estalo atrás de mim, e me arrepiei...
Nessa hora nosso cérebro começa a procurar uma explicação pro que está havendo...
Comecei a vasculhar minha mente, tentando lembrar se eu tinha trancado a porta... Tinha. Tinha certeza que sim.
E essa é a hora em que você pensa o quanto seu medo é ridículo, e olha pra trás pra provar a si mesmo que está errado... Eu olhei...

O que eu vi, fez meu sangue gelar...

Olhava diretamente pra mim...
Não podia ver seus olhos, mas sabia que olhava pra mim...
Minhas pernas não se mexiam... Eu não conseguia gritar...
Parecia ter levado uma eternidade encarando aquelas órbitas vazias, até que consegui forças pra correr até o meu quarto e acender a luz...
Enquanto meu coração parecia querer sair pela boca, olhei para onde a coisa estava... E não havia nada...
Na manhã seguinte, não sabia se havia sido um sonho, ou se tinha sido mesmo verdade... Eu só sabia de uma coisa...

Eu não durmo mais de luz apagada...

A reaparição do homem de terno e acontecimentos estranhos


Olá seres obscuros,como estão?
Bem...
Estarei postando no lugar do "Hazard",por ele não poder postar.
Enfim...
Essa postagem que estou fazendo,se trata de um relato meu,eu o escrevi em 11/01/13,mas só fui posta-lo agora,pois agora o revisei.Sem mais delongas aí abaixo está tudo o que aconteceu(Escrevi 3 dias depois dos acontecimentos citados no texto abaixo).

Estou meio assustada por tudo que está acontecendo comigo.
Ultimamente vem acontecendo coisas estranhas aqui em minha casa.
Mas...
Só eu as vejo,ouço e sinto.
Meus pais e minha irmã não os percebem,ou eles só me afetam.
Contarei a vocês tudo o que vem acontecendo.

Há três dias atrás,eu havia ido dormir com minha irmã.Ela estava muito assustada,por algum motivo,mas não importava o quanto eu perguntasse,ela não respondia o por que.
Então para ela conseguir dormir,minha mãe aconselhou que eu dormisse uns dois ou 3 dias com ela para ela pelo menos se sentir confortável e segura.
Concordei e fui dormir com ela.
Durante a noite,eu acordei suando e muito quente.
Abri meus olhos,estava bem escuro.Eu fiquei com um pouco de medo,mas lembrei que não precisava ter medo,não havia nada no quarto.E além do mais,eu já era "grande" o suficiente para ter medo de escuro,que só crianças tem esse medo.Ainda que não tinha perigo de ninguém ou algo entrar na casa,pois todas portas e janelas estavam trancadas,e mais...
Todas tinham grades bem fortes.
Então fechei meus olhos e tentei voltar a dormir.
Aí do nada,comecei a ouvir uns barulhos no quarto.Parecia que alguém estava no quarto.Eu ouvia passos e a respiração de alguém,e ele estava perto de mim.Eu sentia "aquilo" me observando.Sentia "o seu respirar" perto de mim.Era quente.
Depois ouvi risadas.Eram baixas,mas por eu ter uma audição boa,e a noite estar muito quieta,eu as ouvia.
Mas ainda não me atrevi a abrir os olhos,e me deparar com a "coisa".
Comecei e sentir algo tocando meus pés.Era frio e cortante.Estava doendo um pouco,mas a dor dava para se suportar.
No dia seguinte,acordei e fui logo olhar meus pés.E por incrível que pareça,não havia corte algum.
Achei estranho,mas não liguei.

                                   
                                              -NA NOITE SEGUINTE-

Estava quase na hora de dormir.Peguei minha escova dentes,e fui escovar meus dentes no quintal(gosto de sentir a brisa da noite).O quintal estava meio escuro,e pelo que percebi não tinha lua.Andei escovando os dentes,quando olhei para a garagem e vi.
O maldito estava lá no escuro,eu só conseguia ver o seu rosto,sua gravata vermelha e suas mãos.Seu terno se misturava com a escuridão.Paralisei na hora.Depois entrei para dentro de casa,como se nada aconteceu(para minha mãe não suspeitar).

Por que ele apareceu de novo?
O que ele quer de mim afinal?
O que eu tenho de especial para ele vir atrás de mim?

Essas eram as perguntas que tinham ficado na minha cabeça (e ainda ficam).
Resolvi relaxar e tentar esquecer tudo.E fui dormir com a minha irmã.
Acordei no meio da noite novamente,e sentia que algo estava me observando,e que estava perto de mim.
Não me mexi,não liguei e fui dormir.
Aí sonhei.Sonhei com aquele tal "The Observer" da "Tribe Twelve".
Eu estava em minha casa,sozinha,deitada no sofá,descansando,e ouço um barulho na caixa de correio.
Era de noite e pensei:"Mas o carteiro não passa a noite.Estranho..."
Mesmo assim fui verificar.Tinha uma caixa sem remetente algum.Era uma caixa media,dizemos.
Então entrei para dentro de casa,fui para o quarto onde fica o pc,peguei uma tesoura e sentei no chão.
Olhei para a caixa toda,não havia coisa alguma estranha nela(só o fato de não ter remetente mesmo).
Então pensei que poderia ser alguma brincadeira de alguma criança que mora nos arredores.
Mesmo assim,curiosa abri a caixa.
Havia CD's,uns papeis a algumas fitas na caixa.
Liguei o computador e coloquei um dos CD's.
O que assisti era igual aqueles videos que o "The Observer" postava no canal do Noah(em preto e cinza).
Todas as palavras eram em inglês.
Tirei o CD e me virei,e o coloquei na caixa.
Depois lembrei das fitas.Peguei uns CD's virgens e procurei como passar fitas para CD's(pois eu não tinha câmera ou algo do tipo para rodar as fitas).
Consegui umas informações e me virei novamente,para pegar as fitas na caixa.
E vi Slender Man atrás de mim.Nessa hora acordei.
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                                                          -HOJE NO DIA DE REVISÃO-

Bom...
Desde esse dia,não vi mais ele,e nem ouvi ou senti  mais nada parecido.
Ainda tenho medo.
E não sei a razão pelo qual ele me persegue(tanto nos sonhos quanto na vida real).
Com todos esses acontecimentos,eu me sinto insegura dentro de casa.
E não posso fazer nada,além de relatar isso por escrito para vocês.
Eu sei que meus pais nem nenhum amigo próximo acreditariam se eu contasse.
Concerteza eles diriam que estou ficando louca por só ficar em casa lendo coisas de terror.

Caso mais alguma coisa acontecer contarei a vocês em detalhes.
E tentarei tirar foto ou filmar como celular mesmo,se eu conseguir.

Mesmo com todos estes acontecimentos,continuarei pesquisando sobre ele(Slender Man) e algo relacionado a ele.
Quero descobrir mais coisas sobre isto.
                                                             Para Contato: Erick Guimarães
                                             Iremos Avaliar e Então Avisaremos os Novos Adm's
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Vídeo sobre ''Viagem astral''

    Viagem astral é um ato que acontece quando dormimos que é sair do corpo físico e fica no corpo astral,geralmente quando dormimos ficamos flutuando pelo mundo astral no nosso corpo astral e quando acordamos não nos lembramos de nada.Tem um jeito de fazer viagem astral consciente e conseguir se lembrar quando acordar,(mas hoje eu não vou ensinar) no mundo astral é possível voar e ir pra onde quiser exceto por uma coisa alguns dizem que se você for para longe tem que saber o caminho de volta para o corpo físico caso o contrário você ficará preso no mundo astral.Já outros dizem que  se a pessoa se perder ela volta assim que quiser.Tome cuidado para não confundi sonho lucido com viagem astral...sonho lucido é quando você sabe que está sonhando e a partir desse momento você tem controle total do sonho e pode fazer o que quiser,já a viagem astral você vai saber de cara que não está sonhando...


                            

Musica para ritual

Algumas pessoas dizem que quando ouvem essa musica sente uma sensação estranha,como se alguma força maligna estivesse próxima a elas,e outras pessoas dizem que após assistirem o vídeo
sentiram-se observadas.


    

Descaminhos Sombrios

Desorientado, disperso, sem rumo ou direção
Cansado e inquieto, em completa perdição
O manto negro da noite zombava de mim
Sem saber o que fazer, esperava pelo fim

Sem estrelas no céu, sem referência a seguir
A esperança em meu peito ameaçava ruir
Densa mata, encorpada, uma cortina cerrada
Triste sina elaborada por uma rota mal traçada

Pesadas gotas derramadas com dor e fúria
Açoites selvagens, desolação em um canto
Chuva e lágrimas mescladas, ingrato pranto
Ninguém para ouvir o som da triste lamúria

O ribombar de um trovão fez disparar o coração
Mas o clarão na imensidão acendeu minha visão
Entre os arbustos surgia uma passagem anormal
Envolta em trevas, ameaçadora, era a saída, afinal

Mergulhei na escuridão com um andar hesitante
Sombras soturnas, traiçoeiras, por ali se estendiam
Vislumbrei em todo chão uma névoa nauseante
Sufocantes sensações que pelo medo me prendiam

Tentei gritar, tentei fugir, voz e pernas não obedeciam
Gargalhada insana a que ecoou pela extensão daquela trilha
Figuras estranhas, desconexas, surgiam e desapareciam
Mas era humana a que sorria, uma macabra mulher andarilha

Crus e castanhos os caracóis que pendiam de sua cabeça
Em escarlate vivo se tornaram, por mais incrível que pareça
Como chamas, brasas vis, seus olhos vítreos insistiam em faiscar
Dos lábios rubros, as notas firmes, força nefasta a me dominar

A melodia irresistível me falava direto à mente
Dizia-me que tudo não era um sonho somente
Ela queria minha vida, minha carne, o sangue e a alma
E com seu canto falava isso, voz plácida, serena, calma

Então entendi que a dama daquela terra, eterna rainha
Dos descaminhos sombrios, ceifava vidas, como a minha
Guiava os perdidos num percurso hediondo, sem retorno
Meu corpo era arrastado, derramava o sangue morno

Manchava o barro, queimava o espírito, pele dilacerada
Ainda esbarro em rochas frias, vejo uma lâmina afiada
Ela me diz que uma vez ali, não há jeito de escapar
A foice sobe, o golpe vem, para sempre me silenciar

Um pensamento surge, enquanto sinto minha vida sumir
Para fora do meu corpo, toda a energia segue livre a fluir
Pela escuridão daquele caminho eu não deveria seguir
Ali nenhuma salvação, apenas maldição poderia existir

Flávio de Souza

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Escuras

Nota do Adm: cara, ela é gigante kkkkk, mas eu acho que o final valeu a pena pela historia toda...

Eu morava a um ano e meio naquela casa. Era pequena. Um quarto, um banheiro, a sala, e a cozinha. Mas eu estava feliz com ela, recebia alguns amigos durante a semana que elogiavam o quanto eu conseguia manter tudo em ordem mesmo morando sozinha. Era simples, ninguém me incomodava e eu não incomodava ninguém. Mas um dia, o sol não amanheceu. A casa se localizava mais ao no lado rural da cidade, onde não haviam muitas casas, e mesmo eu morando a tanto tempo lá eu não conhecia quase ninguém. Só tenho a culpar a mim. Eu sou meio introvertida e optava por ficar trabalhando em meus quadros do que fazer amizade com os vizinhos. Provavelmente esse tenha sido meu erro.

Eu estava deitada em minha cama, dormindo tranquilamente quando ouvi o Bip do despertador do meu relógio digital. No escuro brilhavam em vermelho indicando que já eram nove horas da manhã, e que estava na hora de eu me levantar. Mas, estranhamente, tudo estava escuro. Eu levantei, esfreguei os olhos e olhei o relógio com mais atenção. Não podia ser nove horas se tudo ainda estava escuro. Supus que tinha faltado luz durante a noite e voltei a dormir, já que era domingo e não pretendia fazer mais nada. Dormi mais algumas horas e quando acordei o relógio não estava mais ligado. Eu não estava mais cansada ou com sono, e fiquei deitada na cama. Ainda estava tudo escuro. Por essas horas já devia ter amanhecido. Suspirei. Não conseguia entender nada.

Me levantei e com ajuda da luz do celular me guiei até a janela do meu quarto. Olhei para fora atrás vez do vidro e tudo estava escuro. Nenhuma luz em nenhum lugar por perto. Nem uma casa tinha as luzes ligadas. Fui até o interruptor e tentei ligar a luz, mas não havia nenhuma luz. - Droga - suspirei. Ainda estava meio tonta do sono longo, e me direcionei a sala, até a porta da frente de casa. Abri e me direcionei até a rua. Estava um silêncio mortal. O vento não fazia nenhum barulho, as árvores estavam imóveis, eu não ouvia o barulho de nenhum animal e de nenhum inseto. Era horripilante, como se eu tivesse ficado surda de uma hora pra outra. Bati palma, pra ter certeza de que eu ainda podia ouvir, e o barulho pareceu tão alto no silêncio que ecoou pela escuridão e doeu nos meus ouvidos. Então percebi que podia ouvir meu próprio coração batendo rápido no meu peito. Minha respiração descontrolada, e até o estralar leve do meus ossos de vez enquanto quando me movia. Olhei para o céu sem ajuda da iluminação do meu celular e era como fechar os olhos. Nenhuma nuvem, nenhuma estrela, constelação, nada. Nem mesmo a luz que estava cheia ontem a noite tinha sumido.

Entrei de volta para casa e tranquei a porta. Estava começando a ficar nervosa. Não sabia o que fazer. Tentei ligar para uma amiga que morava na cidade para saber a situação de lá, mas os celular não tinha sinal nenhum. Tentei com o telefone de casa, mas as linha estava muda. Me sentei no sofá e não sei por quanto tempo eu fiquei lá, pensando no que fazer. Deve ter passado algumas horas quando eu levantei, tirei meu pijama, coloquei uma blusa de manga longa e uma calça jeans. Amarrei meus cabelos loiros em um coque e fiquei de pé no meio da sala. Parecia que o dia nunca ia amanhecer, e eu precisava saber que isso não era um sonho, que eu não estava sozinha nessa. A bateria do meu celular começou a apitar e a luz da tela ficou pela metade, e tudo começou a ficar mais complicado. Desliguei o celular, para usa-lo em um momento que precisasse mais. Peguei uma lanterna que tinha na gaveta do meu quarto e sai pra rua. Foi a pior decisão que eu tomei na vida.

Tudo continuava escuro e silencioso. Peguei a estrada de chão, e comecei a caminhar, pois pensei que de bicicleta seria muito perigoso pra cair, e se me machucasse sabe lá quando alguém me encontraria... se é que tinha alguém por aí. Minha lanterna iluminava pouco e ainda por cima uma névoa um tanto grossa. Demorei um pouco até chegar a primeira casa perto da minha, uns dez minutos pelo menos. Bati palmas no portão e elas ecoaram tão alto que bati de bater, sentia como minha cabeça ia explodir. - Tem alguém aí? - falei em um tom não tão alto, quase um sussurro, mas qualquer um em pelo menos cem metros poderia ouvir. Não ouvi nenhuma resposta, e abri o portão (que não estava cadeado). O carro deles estava na garagem aberta, e eles não poderia ter saído daquele fim de mundo sem ele. Fui até a janela e bati com os nós dos dedos levemente. Nenhuma resposta. Apontei minha lanterna no vidro e iluminei porcamente a sala de estar da casa. Não havia nenhum movimento, nenhum barulho, nenhuma pessoa. A única coisa que eu ouvia era meu coração batendo rapidamente.

Andei até os fundos da casa onde havia um imenso milharal. Não sei por qual ideia eu que alguém poderia estar lá, naquela escuridão. Subi em um banquinho e apontei a lanterna para plantação - Olá!? - Nenhum som. - Tem alguém aí? - Perguntei, iluminando em todas as direções. De repente eu ouvi muito distante uma movimentação no milharal. Muito distante, só que era muito rápido. Nenhum ser humano podia se movimentar daquela forma, a não ser que fosse em um carrinho de golf, ou em um quadrículo. Não chamei de novo, agora eu estava apavorada e milhões de ideias estavam na minha cabeça do que podia ser aquilo. Meus olhos marejaram ao pensar em que tipo de ser estaria rastejando numa velocidade daquela pelo milharal.Pulei do banquinho e desliguei minha lanterna, correndo até a porta de trás da casa, e por sorte ela estava aberta. Entrei e tranquei a porta, pois a chave estava lá na fechadura. Me encostei com as costas no armário da cozinha, tentando não chorar, arfar, respirar profundamente, ou qualquer coisa que me fizesse fazer algum som muito alto. Agora eu sabia que o que quer que seja, já estava fora do milharal, pois eu não ouvia o farfalhar do seu enorme corpo contra as folhas. Mas eu ouvia o esmagar da grama, e algo como um gotejar. Era tudo apavorante.

A coisa esbarrou no banco, ou em qualquer outra coisa que eu não tinha visto que caiu sobre o cimento do chão do quintal, e fez um barulho alto demais. Cobri meus ouvidos, e senti a casa e o chão estremecer quando a coisa esbarrou contra a porta, umas três vezes. Me encolhi mais para o canto, senti minhas lagrimas correrem pelo o rosto e depois então o silencio. A criatura parecia estar se afastado lentamente da casa. Tirei meus tênis pois eu tinha medo que até meus passos ecoassem. Fui até a janela da sala, subi no sofá, e apenas espiando pela pontinha da cortina, esperando não ver nada por causa da escuridão, mas eu vi.

Era uma enorme criatura, que devia ter dois metros de comprimento. Era gorda, e comprida, como uma lesma, mas tinha a pele escamosa. Irradiava um tipo de luz própria, não muito forte, mas o suficiente para iluminar seu caminho na escuridão. Ela se movia rapidamente na estrada e logo sumiu de vista. Fiquei ainda um bom tempo na janela, esperando alguma coisa, mais alguma criatura, algum ser humano, ou que pelo menos acordasse desse pesadelo.

Então senti algo envolta do meu tornozelo e minha boca. Algo me puxou violentamente para fora do sofá, mas eu não conseguia gritar. Na verdade meu impulso foi de ficar quieta, e apenas me debater. Então eu ouvi um leve - Shhh. Calma. Fica quieta. - Fique, parei de me debater. Eu ainda tinha minha lanterna e iluminei o rosto de uma garota, talvez um pouco mais nova que eu, com os cabelos pretos amarrados em uma trança do lado da cabeça. Ela tinha os olhos arregalados e inchados, parecia ter chorado muito durante um bom tempo, como..bem, como eu.

- O que está acontecendo? - Ela perguntou com a voz chorosa. Eu não sabia da onde ela tinha vindo, se morava naquela casa ou se eu podia confiar nela. Por essas horas eu já não tinha muito o que fazer se não duvidar de tudo. Me arrastei pra longe dela no chão, ainda apontando a lanterna pra ela. - O-que-está-acontecendo? - Ela sibilou, ainda mais chorosa. - Eu vi, eu vi aquele monstro na rua, eu não sei onde estão todos, meu pais não voltaram ontem pra casa, não consigo ligar pra ninguém...

-Shhh, fala mais baixo. - Falei, me levantando e olhando pela janela. Não havia nenhuma luz, o que me deixava segura que nenhuma lesma gigante asquerosa estava por perto. - Fique calma, okay? Pare de choramingar. Essa é sua casa?- Si-sim. - Ela falou, se levantando.- Lanterna?- Sem pilha.- Velas?- Não.- Mas que merda. - me levantei, passando a mão na cabeça.- Desculpe. - ela falou choramingando, encolhida no chão abraçando as pernas.- Não é sua culpa.

Eu não conseguia pensar direito, tudo girava e o choro baixo da menina invadia meus ouvidos de um jeito absurdo, latejando meu cérebro. Eu só conseguia pensar que devíamos nos deslocar pra cidade, ou para algo que pudesse nos proteger de um jeito mais eficiente. Enquanto eu pensava, comecei a ouvir um choro simultâneo ao da garota que devia agora, olhando pra ela com a luz da lanterna, devia ter uns 14 ou 15 anos. Ela tinha calado a boca, e parecia agora extremamente culpada, enquanto outro choro soava alto vindo de um dos quartos. Marchei até o quarto e abri a porta. Dentro, iluminei uma criança, muito pequena, que devia ter no máximo dois anos, de pé ao lado de uma cama improvisada no chão.

A garota saiu correndo da sala e pegou a bebê no colo, falando para ela se acalmar, e depois de alguns minutos, com o dedo na boca a menina se calou. Fiquei pensando qual seriam minhas chances de sobreviver cuidando de duas crianças. E eu tinha apenas 20 anos. Eu não tinha experiência. E como eu correria rápido segurando um bebê? Mas eu simplesmente não podia deixar as duas sozinhas. Estavam tão sozinhas, pequenas, abraçadas uma a outra, sabendo que suas vidas se dependiam, de alguma forma.

- É sua irmã? - Perguntei para mais velha.- Não. - Ela falou soando mais culpada ainda, e embalando a criança. - Ela estava andando sozinha, chorando na estrada, então eu tive que pegá-la.- Você pegou esse bebê da estrada?!- O que eu devia fazer? Deixar ela lá pra ela morrer sozinha? Sem nenhum pai ou mãe por perto? Com essa escuridão toda? Ela estava apavorada.- Okay, acalme-se, não grite! - Falei tentando acalma-la, com as mãos na minha cabeça, sem ideia do que eu poderia fazer no momento. Me sentei no chão e desliguei a lanterna. A menina pequena começou a chorar baixinho.- Ela tem medo do escuro... - falou a outra, e eu suspirei, ligando de novo a lanterna.- Acho que ela vai ter que se acostumar com a situação e ficar quieta. - Eu não estava com muita paciência para nenhuma das duas. - Qual o nome de vocês?- Eu sou Kate, e ela... bem, a pulseirinha que ela tem no pulso diz "Emily".- Sou Tara. Olha só Kate, eu sei que você já tem idade pra entender qual é a situação aqui, muito séria. A gente tem que dar o fora da sua casa e ir pra cidade, eu sei que é longe a pé, mas se cortarmos caminho pela floresta acho que talvez demoremos umas 3 ou 4 horas caminhando. Vai ser cansativo, eu sei. - Coloquei a mão no rosto. Minha própria voz me cansava, como se fizesse pressão nos meus ouvidos. - Você tem a opção de ir comigo, ou ficar aqui e esperar que tudo volte ao normal. Mas eu não vou ficar aqui esperando ser demorada por essas porras que tão por aí.-Tudo bem, a gente vai com você. Farei o possível pra te acompanhar, junto com a Emily.- Okay...Precisamos comer alguma coisa antes de sair.

Andei para sala enquanto ela vinha atrás de mim. Deixei a lanterna ligada em cima da mesa, e como era daquelas pequenas recarregáveis a mão, eu não tinha medo que ela acabasse. Kate colocou a nenê no sofá, que ficou deitada chupando o dedo enquanto nos acompanhava com os olhos. Ela parecia até calma, pelo menos não ficava chorando o tempo todo. Procurei por algo na geladeira, e peguei pão e preparei um sanduiche de pasta de amendoim para a pequena. Não havia nada que pudéssemos fazer que demorasse muito, então enquanto eu ia sofá oferecer a pequena, Kate fazia um para mim e para ela, e até mais alguns para a viagem.

- Oi. - falei suavemente enquanto sentava do lado dela no sofá. Ela esticou a mãozinha e abanou, sem tirar o dedão da boca. - Está com fome, Emily? - Ela fez que sim coma cabeça. - Olha a tia trouxe um sanduíche pra ti, você gosta?- Sim. - Falou baixinho com a voz fininha, depois de tirar o dedo da boca. Pegou o sanduíche da minha mão e começou a mordiscar como um passarinho.

Kate trouxe o meu e colocou os outros dentro de uma mochila escolar. Colocou umas garrafas d'água também. Comemos e depois de uns 20 minutos, já estávamos saindo de casa.Coloquei meus tênis de volta, pois se cortasse meus pés na escuridão seria mais problema ainda. Kate pegou Emily no colo, mas peguei-a de seus braços. Sabia que se quisesse agilidade, eu teria que levar a bebê por um tempo, pelo menos até pegarmos distancia da casa. Emily se acomodou em meu colo, segurando-se firme, e Kate colocou as mochila nas costas.

Então começamos a andar. Não falávamos nada, e tentávamos ser o mais silenciosas o possível. Também não iluminávamos o caminho pela a estrada, pois era meio perigoso, e de alguma forma nossos olhos já tinha, se acostumado com o breu, e conseguíamos ver a alguns metros a nossa frente. Depois de meia hora andando pela estrada, alcançamos a floresta, e começamos a entrar. Por incrível que pareça, lá dentro conseguia ser ainda mais escura. Qualquer passo que dávamos nas folhas secas e galhos, ecoavam por todo o lugar. Levávamos sustos com nossa própria respiração ofegante ou nossos passos.

Depois de mais de duas horas caminhando, meus braços estavam tão cansados de carregar Emily que tive que parar por alguns segundos. Coloquei-a a no chão e sacudi os braços. Emily se abraçou a minha perna, pedindo proteção e colo.

- Você quer que eu carregue-a um pouco?- Não... eu só preciso descansar um pouco. Me de uma garrafa de água.

Enquanto eu ela tirava as mochilas das costas eu vi uma iluminação ao longe, se aproximando rapidamente. Sacudi a cabeça, peguei Emily no colo e puxei Kate pelo braço. Comecei a correr pela mata me perdendo da trilha que antes acompanhávamos. Emily ameaçava a começar a chorar e eu tentava a acalma-la falando que estava tudo bem. Kate me acompanhava, correndo ao meu lado segurando a mochila tentando não derrubar nada. Corremos muito, por alguns minutos seguidos até eu olhar pra trás e não ver nenhuma luz. Eu não tinha percebido até parar de correr, mas eu chorava. Não aos berros, simplesmente o desespero fazia com que eu derramasse lágrimas correntes de meus olhos, assim como Kate e Emily. Eu sentia o coração da bebê batendo forte, enquanto ela estava pressionada contra mim. Passei a mão na sua cabeça, e disse mais uma vez que estava tudo bem. Por sorte, eu conhecia o caminho, e estávamos nele.

Vi a frente a colina, e coloquei Emily no chão. Tirei as coisas de dentro da mochila deixando no chão. Sabia que no topo daquele lugar conseguiria ver a cidade e uma estrada que chegaria nela rapidamente. Coloquei Emily dentro da mochila, que apesar da menina ser pequena, ela ficava quase caindo pra fora. Coloquei na parte da frente do meu corpo, e Emily me abraçou meu pescoço. A colina inclinada demais, então tinha quase que me rastejar, e me apoiar nos matos, por as unhas na terra para subir. Kate subia mais rápido que eu, e já no topo me puxou, e pegou Emily no colo. Sentei no gramado, e olhei a cidade. Eu não sabia o que pensar.

As únicas luzes que dava para ver eram de carros do exercito e tiros que eram disparados a todo o momento. Alguns helicópteros rondavam o céu, iluminado algumas partes. Havia diversos carros correndo para fora da cidade, desesperados, na maior velocidade que podiam, mas o engarrafamento era quase obvio.

Kate em seu desespero desceu o resto da colina em desespero, cansada e suja de terra. Emily em seu colo agora começara a chorar, e eu corri atrás delas. Vi kate falando com alguns motoristas, pedindo carona, ajuda. Eu não podia deixa-la ir com quem quisesse e levar Emily. Era perigoso demais, e já me sentia responsável pelas duas.

- KATE! - Gritei, e ela olhou pra trás enquanto o motorista saia com seu carro pela estrada.- Eu estava quase conseguindo caronas com eles!- Você não pode pegar carona com qualquer pessoa que ver por aí, garota! - Peguei Emily no colo que parou de berrar.- Hey, se você não percebeu é o fim do mundo, e eu não quero ficar aqui pra ser devorada ou morta! Me devolve a Emily.- Não. Se você quer ir de carona com um estranho, vá sozinha.- Tudo bem! Eu não ligo pra isso mesmo.

E se afastou de volta para os carros. Tinha mudado o comportamento ao extremos em segundos. Emily agora chorava se parar, e parecia estressada. Caminhei pela beira da estrada até um grupo de homens armados e vestidos com roupas do exercito. Pedi informação, ajuda, e o homem gritou comigo, com raiva, cuspindo em minha face e fazendo Emily chorar ainda mais. Mandava-a calar a boca, e me afastei, com medo de ser morta ali mesmo. Fiquei sentada na beira da estrada chorando abraçada a Emily, que tinha ficado quieta novamente. Eu estava exausta.

Depois de um tempo, comecei a ouvir a voz de uma mulher gritando ao longe, enquanto lanternas eram apontadas ao meu rosto e corpo. - Emily! Emily! - A mulher gritava, e logo a criança foi arrancada dos meus braços. A mulher agradeceu a mim a vagamente, e correu para seu carro levando a criança. O meu último pingo de esperança havia ido embora, e eu estava sozinha. De novo. Como sempre tinha sido na minha vida. Então um dos homens armados que antes tinha me expulsado me pegou pelo braço dizendo que conseguira um espaço pra mim em um dos carros.

- Cadê a criança?- Não está mais comigo.- Melhor assim.

Talvez fosse, pensei. Fui colocada na traseira de uma caminhonete, junto com mais 7 ou 8 pessoas. Todos estavam calados, e depois que os carros foram pegando as estradas que mais lhe davam segurança ou esperança, nosso carro ficou sozinho em uma longa e reta estrada. Ninguém falava. Ninguém chorava. Só se ouvia o barulho do carro e do motor.

- Ah não.

Um homem falou, espiando por cima da cabine da caminhonete. Olhei também. Uma iluminação rápida se aproximava. Mais de 40 das lesmas estavam vindo em nossa direção. O motorista dava a ré, mas alguém gritou e ele freou. Atrás de nós também vinham uma manada delas. Todos pularam do carros começaram a correr em todas as direções. Corri junto com mais três homens para a floresta, mas logo um senhor ficou pra trás e ouvimos seu grito ecoando enquanto um dos animais o tocava. Eu consegui ver, mesmo a certa distância, que o homem parecia simplesmente dissolver ao toque do ser. Os gritos era cada vez mais constantes e então me vi sozinha e cercada.

Foi rápido. Eu senti uma dor na coluna, mas não era tanta dor quanto eu esperava. Mas o grito que eu dei era alto, mesmo que eu não quisesse, minhas cordas vocais simplesmente não me respondiam. Pela primeira vez naquele dia, o meu medo era me calar, pois eu sabia que assim que parasse, estaria morta. Pensei em Emily. E em Kate. Nos meus pais que não via a tanto tempo, e só agora senti falta deles. Meus poucos amigos. Eu tinha ficado sozinha por pouco tempo naquela noite, mas os minutos em silêsncio foram o de maior solidão na minha vida. O silêncio foi tanto que fiquei surda.

Fonte: Creepy Group ò.ó

Estão vindo para mim

Estou sentado em minha cama, tremendo de medo. Estão vindo essa noite. Sei que estão. Estão vindo para mim. Não posso pará-lo essa noite. Tem muitos deles. Tudo que posso fazer é ficar aqui e rezar para que não me encontrem.Poderia correr, mas isso só os faria me procurar mais e mais. Eles me rastrearem onde quer que eu fosse.

Se eu correr, as coisas só vão piorar.

O que foi isso? Um barulho vindo lá de baixo. A porta da frente abre devagar. Passos, indo lentamente através das placas de madeira do chão.

É agora. Eles chegaram. O que eu posso fazer? Como posso me defender, apesar de julgar ser inútil resistir.

Me movo no escuro e seguro o objeto. Talvez isso me ajude a pará-los. O mais quieto o possível, me levanto. Desço as escadas quase me rastejando. A porta da frente está aberta deixando vento frio da noite entrar.

Posso ver uma sombra na sala de estar, está se mexendo. Só uma sombra. Talvez seja mais fácil do que achei.

A sombra se revela ser um homem, olhando para o corpo morto de meus pais no chão da sala. Ao me ouvir, ele se vira, me olhando, apavorado, de olhos arregalados. Sem hesitar, ergo a arma em minhas mãos e aperto o gatilho. O barulho pareceu encher a casa toda.

O homem fica lá alguns segundos antes de cair, morto.

Não acho que ele era um deles ainda. Acho que ele só veio ver o que os barulhos altos mais cedo haviam sido.

Se ele fosse um deles, ele provavelmente estaria em um uniforme e me diria que eu estava preso.

Fonte: Creepy Group ò.ó

domingo, 13 de janeiro de 2013

Fanfic:A câmera Obscura



Para variar um pouco,vou postar esta fanfic,indicada por um amigo meu,sobre a câmera obscura(a câmera usada no jogo "Fatal Frame".E a história tem haver com o game ^^).Aqui estarão todos o capítulos da fic(que ao total são 5).
Ótima leitura,e lembrem-se...
CUIDADO.
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INTRODUÇÃO



“Uma câmera que exorciza fantasmas? Que ridículo.”
Essa foi a minha primeira impressão ao achar a “Câmera Obscura” vendendo na internet. Uma suposta câmera que “exorciza espíritos” tornou-se um sucesso de lendas dentro da internet, em que se pode achá-las em vários blogs.
Dizem que quem a compra, toma outro caminho em seu destino.
Boatos, talvez. Então resolvi comprar a câmera.
Minha colega de trabalho, Mia (que divide o apartamento comigo) disse isso é ridículo, que nada acontece, e que se acontecer, eu estarei brincando com algo que não se deve.
Mas acho que se ela visse o que achei no sótão... Ela mudaria de idéia e aposto que viria comigo.
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CAPITULO 1-Prólogo. Triste Ritual



A bela garota de quimono encostou a estaca no corpo de seu amado. Ele sorria. Uma lágrima caiu do rosto dela. Aquela era uma despedida de dois apaixonados. Mas ela tinha que fazer – era o ritual da família Hirasawa de primavera. Um casal (incesto) era escolhido pelo ano que começaram a namorar. O ritual acontecia de sete em sete anos, mas às vezes era de três em três anos. Era uma regra estranha, mas ela era feita justamente para pegar o casal incestuoso.




Aquele era seu primo. Sua franja caia sobre seus olhos tristes. Ela tremia, e estava desesperada. Suava frio. Não queria matá-lo. Mas se não o matasse, a maldição que aterroriza a família Hirasawa se quebraria. Para acalmá-la, ele disse, para confortá-la.




“Rio. Não se preocupe. Pode ir, com toda a sua força. Pois um dia, você irá também. E assim poderemos ficar juntos por toda eternidade. Eu te amo.”




Ela sorriu. Suas palavras a deixaram mais calma. Ela então pegou o pesado martelo, fincando a estaca no coração daquele homem. Seu primo, seu amante. Seu namorado, seu destino. Um gemido alto de dor escapou do mesmo. Os mais velhos do clã Hirasawa assistiam a cena, orgulhosos pela atitude da menina.

Pena que ela não poderia ir para o mesmo lugar que seu amado...
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CAPITULO 2-A forasteira da Mansão Hirasawa



Notas iniciais do capítulo

Shoji = Porta corrediça com os caixilhos forrados de papel.
Nee-chan = Irmã mais velha







1647 – Período Tokugawa, Japão

“Posso entrar, nee-chan?” perguntou o garoto.

Rio olhou para o shoji, de seu quarto, onde dava para ver, a sombra de seu irmão mais novo. Ela adorava seu irmão mais novo – era a única pessoa da família com quem ela gosta de conversar nos últimos dias.

“Claro, Kyo.” permitiu a irmã mais velha.

Kyo – o irmão mais novo, de sete anos de idade, entrou no quarto da irmã. Fechou oshoji e sentou ao lado de sua irmã, que estava com um estado não muito agradável. Rio estava pálida, como uma boneca de porcelana. Seus olhos, antes castanho-claros, se tornaram profundamente pretos. Sua pele que transmitiam aconchego de tão quente, estava gélida. E seu corpo, mais magro que o normal. Não dormia, e nem comia há dias.

“Nee-chan...” suspirou Kyo, colocando uma bandeja com docinhos ao seu lado. “Por favor, coma um pouquinho. Eu trouxe os doces que você mais gosta. Eu mesmo que preparei! Talvez esteja com um gosto ruim, mas... Eu fiz realmente pensando no bem de minha irmã.”

Rio soltou um sorriso vazio. Sabia que não iria conseguir comer. “Estou sem fome”, disse ela, triste. “Mas eu comerei quando estiver melhor. Eu prometo.”

Depois de algumas horas de conversa, Kyo colocou um pano vermelho sobre a bandeja e retirou-se do quarto da irmã mais velha, a qual cuida tanto, com todo carinho. Kyo lembrava muito seu falecido namorado, que era bondoso assim como Kyo.



*

A noite cai no Japão. Leves passos pela mansão não são possíveis de se escutar. A garota se encosta na parede de um dos quartos da casa, e com a mão direita pega uma adaga fincada em seu sutiã. Ela ouvia a conversa do líder do clã com um monge do mesmo, que estavam dentro do quarto.

“Temos que fazer o possível para que ninguém saiba sobre a maldição.”, disse o líder.

“Foi idéia sua usá-la para diminuir os membros do clã e punir os pecadores.” disse o monge, desconfortado. “Eu avisei que seria uma má idéia inventar rituais para a maldição falsa. Mas você, não quis escutar.”

O líder soltou um suspiro.

“Você sabe, os Hirasawa são curiosos por natureza. Um dia alguém VAI descobrir que a maldição é falsa.” disse o monge.

A garota arregalou os olhos. Então, a tal maldição era falsa. Isso mesmo, falsa. Vários membros foram sacrificados – seu pai em especial. E o principal terror era o ritual da primavera, que impedia as pessoas de se amarem. Pecado? Há. Não há pecado que impeça duas pessoas de se amar.
Todos precisavam saber que a maldição era falsa, senão, mais membros (até os mais importantes) continuaram sendo mortos. Só nessa mansão (há várias outras) já morreram mais de 70 pessoas. Essa matança não poderia continuar.

Então quando os dois se preparavam para sair do quarto, a forasteira, saiu do local, com toda a sua rapidez. E claro, disfarçadamente.

*

Rio finalmente saiu de seu quarto. Foi para o jardim, observar as estrelas. O céu estava cheio delas. Fazia tempo que não saia de seu quarto desde a morte de seu namorado. Rio acreditava que ele se tornara alguma daquelas estrelas. Talvez, a mais brilhante delas.

Mas um barulho atrapalhou o seu momento. Um barulho forte, de algo que caiu que vinha perto de onde Rio estava. Vinha das plantas. Ela foi até lá, e viu uma garota (Um tanto estranha), ajoelhada e com o cabelo todo bagunçado.

“Itai, itai!” gemeu a garota.

Rio se aproximou da garota, estendendo sua mão, para que ajudasse ela a se levantar.

“Obrigada.” Agradeceu a garota, pegando na mão de Rio e levantando. “Foi um descuido meu...”

“Quem é você?” perguntou Rio.

“Não posso dizer meu nome. Mas também não sei se devo confiar em você.” desconfiou ela.

“Pode confiar.” confirmou Rio. “Prometo guardar segredo.”

A garota soltou um suspiro.

“Eu sou uma forasteira. Mas não se preocupe, sou uma Hirasawa também. Na verdade eu estou pesquisando sobre os Rituais e a tal maldição...” a garota encarou bem torto Rio, como se já a conhecesse. Quando a reconheceu, soltou um grito. “AH! Você é Rio-san, a mais recente que participou do ritual da primavera!”

“Sim” o rosto de Rio voltou a ficar entristecido.

“Então se eu contar, você vai ficar realmente brava...” disse a forasteira, tocando seu indicador no lábio e olhando para cima. “Talvez eu deva contar? Bem, se eu consegui confiar em você aponto de contar quem sou, você deve se manter fiel e guardar esse segredo.”

“Que segredo?” perguntou Rio, que era bem curiosa.

“O de que a maldição é falsa. E que você matou seu namorado à toa.”
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CAPITULO 3-1. A Câmera Obscura







2011 – Tokyo, Japão

Olá, meu nome é Aoi Hinasaki. Faz apenas algumas semanas que me mudei para este apartamento (que é enorme) junto com minha amiga – e colega de trabalho, Mia Akamura. A mudança foi muito rápida e nesse momento estamos arrumando algumas coisas que ainda estavam nas caixas.

– Woah! – exclamei, entusiasmado. – Achei meu cd importado do Beatles que eu havia perdido!

– Só você para perder algo importado. – disse Mia, arrumando os DVDs, os colocando na prateleira da televisão.

– É que realmente tinha sumido... – expliquei, fazendo careta para Mia. – O que é isso na sua mão? Uma câmera?

– Sim, meu sonho era ser fotografa. Mas não deu certo, e agora sou uma mangaká e trabalho junto com um cara chato! – irritou Mia.

Soltei um sorriso sem jeito, e quando acabamos tudo, subimos as escadas e fomos cada um para seu quarto.

*

Eu, adoro lendas. Principalmente essas que circulam na internet. E aqui estou eu, às 2:00 da manhã, em um blog de terror. E achei um arquivo um tanto quanto interessante. Ele menciona uma câmera, chamada Câmera Obscura, que aparenta ser bem antiga pela foto. Ela está sendo vendida em vários sites de venda, por um preço bem barato. Se eu pechinchar, quem sabe eu consiga por 5 reais!! Mas enfim.

Parece que as pessoas que compram essa câmera andam sumindo sem motivo. Tem vários depoimentos. E um deles é de um amigo, que diz que o amigo teria sido levado para o outro mundo. Parece ser algo assustador, mas isso só me dá mais curiosidade. Os comentários dizem que isso é completamente fake. Outros falam de casos que já aconteceram com algum conhecido/amigo/familiar por conta dessa câmera.

Eu adoro casos sobrenaturais. E sou muito curioso. E preciso comprar essa câmera.

Meu coração está batendo forte. Mas eu pensei em alguma recomendação antes. Talvez Mia me apóie nessa.

*

– NÃO, NÃO E NÃO!! – gritou Mia, passando manteiga no pão e mordendo-o insanamente. – Você não sabe com o que está mexendo! Não quero um amigo morto, abduzido, ou qualquer coisa assim.

– Mas, Mia... - tentei convencê-la – Pense pelo lado positivo!! Podemos descobrir algo novo, sabe... – corei um pouco - ... Juntos...

Nossos olhos se encontraram. Eu podia ver o rosto de Mia também um pouco corado. Ela se aproximou, dando outra mordida no pão. Quando engoliu, aproximou seu rosto do meu, e quando minha fantasia estava quase realizada, ela disse, cuspindo na minha cara:

– NEGATIVO!!! Ignore essa câmera, e vá desenhar o seu mangá, que está completamente parado, e se você atrasar na entrega, vão cortar metade do seu salário!!

Mia tem razão. Uma câmera que exorciza fantasmas? Que ridículo.
Estou parecendo uma criança de “23 anos”.

Peguei um pão, e o comi, mesmo sem a manteiga. Eu estava muito pensativo para fazer as coisas. Mais uma desculpa para eu não desenhar hoje. Quero estudar cada vez mais sobre essa câmera que tanto me perturba. Quero saber... Quero ver... Quero tê-la.

*

Conferi mais um blog. No post fala a história de uma garota que comprou a câmera.
“Comprar a Câmera Obscura – Famosa câmera do terror foi o pior erro da minha vida. Descobri coisas que antes não podia nem imaginar em ver. É perturbador. Ultimamente ando indo à um psicólogo, que diz que eu realmente estou atormentada. Descobri um caminho em meu guarda-roupa, que me levou à um mundo horripilante onde eu vejo cenas de morte. Várias pessoas me atacam, e a única defesa que tenho é a câmera. Podem não acreditar, mas é verdade. Não estou mentindo. Eu sou uma pessoa fraca – provavelmente irei morrer logo. É um aviso. Não comprem a câmera.”

Abri o link de um site onde a câmera está disponível para vendas. Fitei o site por um bom tempo. Minha mão não saia do mouse, e a seta estava em “comprar”. Eu sabia dos riscos. Mas meu coração dizia para eu clicar. Então, cliquei, sem pensar duas vezes.

Agora é só ficar de olho no correio. Se a Mia ver, estou ferrado.
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CAPITULO 4-II. A curta partida.



Notas iniciais do capítulo

Yukata - Quimono de verão. Pelo que entendo.







1647 – Período Tokugawa, Japão

“O que...?” Rio suou frio.

“Isso mesmo.” Afirmou novamente a forasteira. “A maldição é completamente falsa, assim como os rituais. É só uma desculpa para diminuir os membros da família. E banir os pecadores de incesto.”

“Por isso que o incesto no clã é permitido...” murmurou Rio, que estava com vontade de gritar e espernear. Segurava-se firme para não mostrar seu lado desesperador. “Que vontade eu estou de...”

“Matá-lo?” a forasteira deu um sorriso de canto. Rio olhou para ela.

“Talvez isso. É um sentimento que não sei explicar...”

A forasteira tirou a adaga de seu quimono e entregou-a para Rio. Rio observava a adaga, e voltou a olhar para a forasteira.

“Saia dessa mansão e venha comigo. Diga a todos que vai viajar. Vou te ensinar coisas incríveis que você vai usá-las com gosto e nunca vai esquecê-las. Mesmo diminuindo sua chance de ir para o paraíso. Se bem que o “ritual da primavera” já diminuiu isso.” Disse a forasteira.

“Certo!!” exclamou Rio.

*

Finalmente amanheceu na mansão Hirasawa. Essa foi a noite mais longa de Rio. Passou o tempo todo conversando com a sua nova amiga, a forasteira, a qual o nome não quer revelar nem por cima de seu cadáver. Talvez ela o revele quando der inicio no seu treinamento. Rio estava mais contente que o normal. Comeu os doces que seu irmão fizera – estavam uma delicia. Seu irmão mais novo é o seu maior orgulho de viver. Ela pegou uma mala velha, a qual nunca usara, e colocou nela alguns quimonos e yukatas. O garoto – seu irmão – entrou impaciente no quarto da irmã.

“Nee-chan!” exclamou Kyo.

“Kyo...” sussurrou Rio. “Eu vou partir hoje.”

“Eu vou sentir sua falta, nee-chan... Eu tenho medo, sabe... De ser escolhido em algum ritual... No ritual do segundo filho homem... Eu tenho medo...” chorava Kyo, agarrando-se na irmã.

“Não se preocupe.” Sorriu Rio, acariciando os cabelos do irmão. “Quando eu voltar ninguém mais vai precisar morrer.”

“Jura?” sorriu ele, animado.

“Juro. É uma promessa.” Rio tirou da velha gaveta ao lado de sua cama três bonecas e deu-as para Kyo. “Ele me deu isso quando eu o conheci. Por favor, cuide bem delas para mim.”

E assim a irmã partiu, deixando toda a responsabilidade de sobreviver para o irmão mais novo que logo se tornaria um homem.
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CAPITULO 5-2. A Passagem










2011 – Tokyo, Japão

Eu esperava ansiosamente pelo pacote. Mal consegui dormir direito nesses últimos dias. Mas ele finalmente chegou... Antes conferir o quarto de Mia, para ver se ela estava realmente dormindo. Ela estava até babando. Desci as escadas, e fui ao correio. Peguei o pacote e voltei correndo para meu quarto.

– Heheheee... – eu abria o pacote, alucinado. – Eu tenho uma câmera que exorciza fantasmas!!

Peguei uma lente que estava embrulhada juntamente no pacote. Coloquei-a delicadamente na câmera, com um modelo antigo. Logo ouvi alguns passos – era Mia. Escondi a câmera rapidamente embaixo do travesseiro, e sentei na cama. Ela entrou no meu quarto e me encarou, com olheiras embaixo dos olhos, e seu cabelo bagunçado.

– Bom dia... – murmurou.

– Bom dia!!!!!!! – exclamei desesperadamente alegre. – Quanta emoção ver você de manhã!

Mia fez uma careta.

– Você está zombando com a minha cara...?

– Não!! Imagine! – exclamei.

– Se você dizer mais uma palavra, você será um mangaká morto. – disse Mia, saindo de meu quarto.

Quando Mia saiu, rapidamente tranquei a porta e fiquei ouvindo seus passos. Mia é um demônio quando acorda. E segundo o calendário, provavelmente ela está de TPM. Para piorar.

Uma força invadiu o quarto. Eu mal conseguia ficar de pé. Minhas pernas estavam bambas e o único jeito era me ajoelhar. Meu cérebro parecia explodir. Coloquei minhas mãos sobre minha cabeça e mantive os olhos abertos. Havia uma garota, pálida, debaixo da mesinha do meu trabalho.

– Mia? Esqueceu alguma coisa? – eu disse, com dificuldade para falar e respirar. Fui engatinhando até ela, e ela virou seu rosto. Seu pescoço estava quebrado, e sangue caia de sua testa. Seus olhos pareciam sair para fora. Ela moveu sua mão, acariciando meu rosto.

– Aoi... – disse ela, com uma voz trêmula.

Eu tremia. Um pingo de suor caiu em seus dedos. Ela parou de acariciar, e cheirou sua mão. Ela fez uma expressão de desgosto e pulou em mim, pegando no meu pescoço, nos levando até a parede, fazendo um enorme barulho quando batemos. Olhei para ela, desesperado. Tive sorte de não ter quebrado alguma coisa.

– Maldito... O que você fez com Aoi?! – gritou a mulher, começando a apertar meu pescoço.

– Ghhhh! – gemi. – Mas... Eu sou Aoi...

Passos rápidos correram sobre a escada. Mia abriu a porta de meu quarto preocupadíssima, e me viu junto com a mulher, que eu apelidei carinhosamente de “mulher doida”. A mulher virou seu pescoço quebrado (Algo realmente incrível) e olhou para Mia. Logo, soltou meu pescoço e foi na direção de Mia, começando a ir atrás dela. Mia corria desesperada pelo meu quarto, e a fantasma apenas a seguia, gemendo, com raiva. Disfarçadamente peguei a câmera que estava debaixo do travesseiro e coloquei um filme que veio junto com ela, um filme tipo 14. Liguei a câmera, e comecei a mirar, tirando algumas fotos.

Era algo realmente incrível. Quando eu tirava uma foto de boa resolução do rosto da fantasma, pareciam pontos na tela. Era como se eu estivesse a enfraquecendo. Quando ela conseguia se agarrar a Mia, ficava um pouco mais difícil de tirar.

– Aoi! – gritou Mia. – Acabe logo com isso!

Tirei o último tiro. O tiro que finalmente exorcizou a mulher de pescoço quebrado. A força espiritual sumiu de repente, e Mia caiu de joelhos. Pra mim, foi uma experiência incrível. Agora, para Mia...

Ela levantou-se e olhou para mim com um olhar mortal. Veio em minha direção e deu um tapa em meu rosto.

– O que eu falei pra você?! Para não comprar a câmera! – gritava Mia. – Agora vai se livrar disso! Se não, eu me livro!

Mia saiu, às pressas, furiosa.
Eu não podia devolver a câmera agora. Foi uma experiência única para mim. Peguei uma mochila de lado, coloquei alguns filmes tipo 14 e um tipo 7 e fui saindo de fininho. Quando cheguei ao corredor, vi mais um fantasma. Escondi-me, e ele foi em direção a uma porta que eu nunca havia visto. Fui até ela, e abri, devagar. Dentro eu podia ver um lugar estranho, todo velho, um lugar que nunca tinha visto. Entrei, devagar, e peguei a lanterna que havia colocado na bolsa. Liguei a lanterna, e comecei a analisar o lugar. Peguei um livro que estava por perto e comecei a ler.

“Diário 1
Minha irmã voltou de viajem há dois dias. Eu não posso contar para ela que vou ser o próximo de um dos rituais do clã Hirasawa. Não posso.
Eu não quero atrapalhar a vida de minha irmã e não quero que ela se sacrifique por mim. Realmente não quero.

O dia do ritual está próximo. Faltam mais dois dias. O local do ritual vai ser no Quarto do Sacrifício, aonde foi morto o seu ex-namorado – em outras palavras, nosso primo.”

– Primo? Ocorriam incestos aqui? Caramba, olha o lugar que fui morar. Rituais, sacrifícios, que sinistro, e... Eh?

Iluminei um canto, aonde eu podia ver um papel dobrado. Fui até ele e o abri. Era um mapa da mansão. Eu pude ver onde fica o “Quarto do Sacrifício”, e lá seria meu próximo destino. Andei um pouco mais, indo para um corredor com velas acessas. Meu corpo tremia como uma vara. Andando um pouco mais, pude ver a imagem de um garoto, que aparentava ter uns 8~9 anos. Sua imagem desaparecia aos poucos.

“Salve-me... Nee-chan...”

NEE-CHAN?! Esse garoto tá tirando comigo?!

Eu estava com muito medo para encarar essa sozinho. Dobrei o mapa, o coloquei dentro da mochila, e voltei para o apartamento, esperando que Mia aceitasse minha proposta.

Mia estava sentada no sofá, assistindo a um programa de TV e comendo um pão de batata recheado com requeijão. Aproximei-me e sentei-me ao seu lado.

– Já se livrou da câmera? – perguntou Mia, dando mais uma mordida.

– Sabe, Mia... – eu disse. – Eu encontrei uma coisa.

– O que? – perguntou ela.

– Isso. – tirei o mapa da mochila e mostrei para Mia. Mia parecia estar encantada.

– M-Mas ‘daonde você tirou isso?! – exclamou ela, observando cada lugar do mapa, que era enorme como uma mansão.

– É o que você chamou de “porão” quando nos mudamos... Que parece ter um tamanho de uma mansão. Quem sabe se formos lá acharemos o mapa do segundo, ou até mesmo do terceiro andar?

– Incrível! Mas isso era pra ser um apartamento pequeno! – ela observava todos os detalhes do mapa. – E esse mapa é bem antigo. Vamos lá!

– Mas tem um problema... Hehe...

– Qual? – ela perguntou.

– Lá tem fantasmas. – respondi.

Mia respirou fundo. Mas ela continuava animada. Ela tirou do meu bolso a câmera obscura e disse, com um sorriso:

– Temos a câmera! Se aparecerem, vamos simplesmente exorcizá-los, ora!

Abri outro sorriso enorme. Mia subiu às pressas para seu quarto e pegou sua mochila. Colocou-a nas costas e desceu a escada.

– O que está esperando? Vamos lá! – disse ela.





Lugares Assombrados


De cavalos selvagens desaparecendo através de paredes de um castelo a espíritos maldosos aparentemente atacando visitantes, o Patrimônio Histórico Inglês compilou uma nova pesquisa de "assombrações" e acontecimentos inexplicados registrados em seus sítios históricos.
O assim chamado "inventário espectral" revela uma série de ocorrências misteriosas, muitas motivaram investigações dos funcionários. Dizem que alguns incidentes foram a causa de pedidos de demissões.

Num castelo, empregados estabeleceram protocolos em como lidar com visões suspeitas de fantasmas ou acontecimentos inexplicados. Um palácio medieval é assombrado por um antigo funcionário.

Muitos dos eventos envolvem funcionários e visitantes vendo figuras misteriosas, enquanto outros envolvem queixas de pessoas que foram tocadas ou empurradas, quando não havia ninguém perto delas. Alguns relatos envolvem itens sendo movimentados nos locais.

Castelo Rising



No Castelo Rising, do século 12, em Norfolk, que foi outrora o exílio local da rainha Isabella, viúva e suposta assassina de Edward II, investigadores paranormais foram chamados pelos funcionários para obter provas das visões de visitantes, muitos alegam que viram figuras vestidas com roupas de monges. Outros disseram que haviam sido empurrados ou tocados enquanto olhavam os arredores.

Norman Fahy, o curador principal, disse: "O fenômeno mais comum parece ser as pessoas sendo empurradas. Elas parecem ser cutucadas e empurradas.




Castelo de Scarborough



Acontecimentos semelhantes com visitantes que se queixam de empurrões, cutucadas ou até mesmo tapas, enquanto aparentemente não havia ninguém, foram relatados no Castelo de Portland, em Dorset, e no Castelo de Scarborough, em Yorkshire, que, de acordo com a lenda, é assombrado pelo fantasma de Piers Gaveston, o favorito de Edward II.
Embora histórias populares de fantasmas tenham sido previamente associadas a alguns dos locais, é a primeira vez que o pessoal do Patrimônio Histórico Inglês, o órgão governamental encarregado de administrar os edifícios históricos, registra incidentes específicos relatados pelos funcionários e visitantes.

Castelo Dover


Houve muitos avistamentos de misteriosas figuras no labirinto de túneis abaixo do Castelo Dover, em Kent, lá os funcionários, criaram um procedimento específico para lidar com eles.

Christine Pascall, gerente de operações do castelo, disse: "Uma vez por mês, temos um relatório de algo desagradável, como uma figura."Temos um processo em que nós fechamos o lugar, evacuamos os visitantes, e uma equipe de funcionários varre toda a rede de túneis. Pode ser muito frustrante para os visitantes.

Túnel do Castelo Dover





Uma vez, um grupo de alunos estava nos túneis. Um rapaz disse ao pessoal que conheceu um homem nos túneis vestido com uma calça marrom e um suéter verde que estava procurando por uma mulher chamada Helen. Uma busca foi realizada, mas nenhum visitante foi encontrado.

Em outra ocasião, visitantes numa excursão guiada disseram que uma porta repentinamente bateu e um carrinho de chá se moveu rapidamente pelo corredor, como se fosse empurrado violentamente.




Battle Abbey



Outro lugar com um elevado número de casos de assombrações é Battle Abbey, próximo ao local da Batalha de Hastings, em East Sussex.
Rosemary Nicolaou, administradora de operações do lugar, disse: "Nós tendemos a ter avistamentos de monges, ao invés de soldados.

"Em uma ocasião, um grupo escolar, que tinha acabado de visitar o local, me contou sobre uma encenação histórica que tinham visto, com atores vestidos de monges"."Mas não houve uma encenação no local. Não poderia ter sido outro visitante. Eu não posso explicar isso".

"Se eu souber de qualquer avistamento de visitantes vou verificar os detalhes para ver se pode haver qualquer explicação racional, ou prática, porque eu sou uma cética, por natureza. No entanto, algumas delas não parecem ter uma explicação fácil.

Casa medieval em Southampton





Em uma casa de comércio medieval mantida pelo Patrimônio Histórico em Southampton, numa noite uma equipe de funcionários ajuntou cascalho no assoalho da adega antes de trancá-la e deixar o trabalho.

Na manhã seguinte, de acordo com a equipe, pegadas eram claramente visíveis no cascalho, começando no meio do quarto e entrando em uma parede. Uma pegada estava em parte de uma parede.

Palácio Eltham





No Palácio Eltham, em Greenwich, a sudoeste de Londres, é dito que um antigo funcionário que morreu uma semana depois da reforma assombra o local.

Um homem, que combina com a sua descrição, e com o mesmo sotaque, teria dado uma excursão guiada aos visitantes quando o local estava vazio.




Castelo Portchester



No Castelo Portchester, em Portsmouth Harbour, um funcionário ouviu o som de cascos de cavalos e, em seguida, viu um cavalo sem cavaleiro emergir das paredes do castelo, correr em toda a área dentro das muralhas e desaparecer. Um visitante também viu o incidente.

Castelo Bolsover


O local, talvez com a mais ampla variedade de relatos, é o Castelo Bolsover, em Derbyshire. Funcionários e visitantes têm relatado empurrões, aparições e itens sendo movidos em torno do local.

Alguns guardas abandonaram os seus empregos depois de se assustarem ao ver luzes movendo-se em partes dos imóveis que estavam vazios, e ouvido barulhos inexplicáveis enquanto faziam o serviço durante a noite, de acordo com Diane Hinchcliffe, a supervisora do lugar.

Em outra ocasião, ela disse, quatro pedreiros trabalhando no jardim viram uma mulher em um vestido de estilo antigo que apareceu e desapareceu numa parede. Dois do grupo não voltaram no dia seguinte.
"Basicamente todos os funcionários têm tido alguma experiência," disse a Sra. Hinchcliffe. "Eu necessariamente não acredito em fantasmas".

"Acho que existe uma explicação racional para tudo, mas já houve acontecimentos que eu não posso explicar."

As figuras da exposição se mexeram no local de noite, enquanto itens num quarto trancado, inclusive pertences dos visitantes, também se moveram. "Naturalmente, estou sempre ciente da possibilidade de travessuras" disse. "Mas houve vezes, quando fui a última a partir de noite, e a primeira a chegar de manhã, em que coisas foram mexidas"."Tive coisas movidas em lugares trancados. Vários visitantes informaram que vêem figuras. Uma das mais comumente vistas é a assombração de uma criança segurando as mãos de visitantes jovens", acrescentou.


Fonte:Black Room